Organizar a lista de espécies de um levantamento florístico, contar famílias, gêneros, espécies, cf., aff. e indeterminadas, e validar os nomes no TNRS (WFO e WCVP) e na Flora e Funga do Brasil.
Listas de espécies de inventários florestais costumam ter erros de grafia, nomes desatualizados (sinônimos), famílias de sistemas de classificação antigos e identificações incompletas (sp., cf., aff.). Antes de qualquer análise, é preciso padronizar e validar esses nomes.
Esta rotina faz em R o mesmo que a prática da aula faz com o Plantminer e a Flora e Funga do Brasil: organizar a lista → contar → validar em bases de referência → comparar com a lista original. Prefere não programar? Siga a versão no Excel.
1. Os dados
Usamos a lista de 240 espécies do levantamento de Oliveira & Amaral (2004), numa floresta de vertente na Amazônia Central, adaptada para a prática da disciplina. As colunas são:
Coluna
Descrição
familia
família, como no artigo original (2004)
nome_cientifico
gênero e epíteto (com cf. ou aff., quando houver)
rank
nível de identificação: espécie, gênero, família ou indeterminada
familia nome_cientifico rank status habito
1 Anacardiaceae Anacardium giganteum espécie árvore
2 Anacardiaceae Astronium gênero sp. árvore
3 Annonaceae Duguetia chrysea espécie árvore
4 Annonaceae Duguetia surinamensis espécie árvore
5 Annonaceae Ephedranthus amazonicus espécie árvore
6 Annonaceae Guatteria discolor espécie árvore
2. Limpeza básica
Planilhas digitadas à mão quase sempre têm espaços sobrando (por exemplo, "Astronium " e "Rinorea guianensis "). Eles parecem invisíveis, mas fazem o R tratar nomes iguais como diferentes:
sum(grepl("^\\s|\\s$", sp$nome_cientifico)) # nomes com espaço no início ou no fim
riqueza <-sort(table(sp$familia), decreasing =TRUE)[1:15]par(mar =c(4, 10, 1, 1))barplot(rev(riqueza), horiz =TRUE, las =1, col ="#78c2ad", border =NA,xlab ="Número de espécies")
Número de espécies por família na lista original (as 15 famílias mais ricas).
4. Validar os nomes no TNRS
As perguntas mais interessantes da prática dependem de comparar a lista com uma base atualizada: quais nomes mudaram, quais são sinônimos, quais estavam com erro de grafia e quais famílias deixaram de existir (por exemplo, Caesalpiniaceae e Mimosaceae hoje estão em Fabaceae).
O TNRS (Taxonomic Name Resolution Service) compara os nomes com a WFO (World Flora Online) e a WCVP (Kew), corrige erros de grafia e indica se o nome é aceito ou sinônimo.
Os blocos abaixo não são executados no site, porque dependem da internet e da versão atual das bases. Rode no seu computador.
Enviamos só os nomes identificados até espécie, sem o cf. e o aff. (que indicam dúvida na identificação e não fazem parte do nome):
Quando as bases discordam, a decisão é taxonômica: consulte a literatura recente (revisões, monografias) e o especialista do grupo. Use outras bases quando for preciso (Tropicos, POWO, IPNI, WFO) e registre sempre qual base e qual data de consulta você usou.
Boas práticas na escrita de nomes científicos
Gênero e epíteto em itálico; autor, cf., aff., sp., spp., subsp., var. e f. em fonte normal.
Na primeira citação, escreva o nome por extenso (com autor, se for o caso); depois, o gênero pode ser abreviado (E. coriacea), exceto no início de frases.
Com sp. e spp., o gênero nunca é abreviado: Pouteria sp.
Referências
BOYLE, B. et al. 2013. The taxonomic name resolution service: an online tool for automated standardization of plant names. BMC Bioinformatics 14: 16.
OLIVEIRA, A. N.; AMARAL, I. L. 2004. Florística e fitossociologia de uma floresta de vertente na Amazônia Central, Amazonas, Brasil. Acta Amazonica 34(1): 21-34.
International Code of Nomenclature for algae, fungi, and plants (Código de Madri), 18ª edição, 2025.